domingo, 7 de agosto de 2011

Aqaba

Aqaba, localizada no sul da Jordânia e banhada pelo Mar Vermelho é uma estância balnear e zona franca que recebe muitos turistas, principalmente, devido aos inúmeros locais de mergulho.
Por esses motivos estava à espera de uma cidade mais ocidentalizada e onde se falava frequentemente inglês. Errado! Quanto ao inglês, foi o local da Jordânia onde tive mais dificuldades de comunicação. Até no restaurante onde jantei (que não é de topo mas é um dos melhores) foi complicado entenderem-me... E, ao contrário do que esperava, é uma cidade um pouco conservadora, fruto da grande influência da Arábia Saudita com quem faz fronteira.Ao início da manhã lá me dirigo ao centro de mergulho que tinha contactado pela Internet para fazer 2 mergulhos com garrafa. Aqui os locais de interesse para mergulho (dive sites) proliferam por todo o lado e alguns deles ficam mesmo a 50m da costa. Em termos de peixes, estava à espera de encontrar mais espécies. Mas o forte desta área são mesmo os corais que existem em abundância e com diferentes cores e feitios.Terminados os 2 mergulhos, servem-me o almoço a bordo. Depois dos mergulhos a fome é grande e o cansaço também pesa. Deito-me num dos bancos e, tal como grande parte dos meus companheiros de mergulho, rapidamente adormeço ao Sol. Ah sestinha valente!!!
O balanço que faço da minha visita a Aqaba é que, se não for pelo mergulho, não aconselho visitar esta cidade. Fora o mergulho, não há nada de interesse! As praias não são nada de especial (estou a ser simpático) e quase qualquer praia de Portugal "mete-as no bolso". Só se aproveita mesmo o Mar Vermelho e os seus locais de mergulho que são dos melhores do mundo. Mesmo assim, gostei mais de ter feito mergulho nas Maldivas por ter cruzado com mais variedade de peixes, apesar de os corais não serem tão ricos como os de Aqaba.

Wadi Rum

Chego a Wadi Rum por volta da hora de almoço e mais uma vez deparo com um deserto diferente do que estava à espera (imensidão de dunas de areia sem estradas). Uma estrada alcatroada a atravessar o deserto que é constituído por grandes planícies interrompidas por elevações de rochas de granito e calcário e vegetação escassa.
Adicionalmente também cruzo com a linha ferroviária que hoje serve para transporte de cargas mas que durante a revolta Árabe foi de grande importância estratégica no combate das tropas turcas (Damasco - Mecca), que as utilizavam para transportar militares e material de apoio.


Este deserto, que foi o cenário do filme Lawrence da Arábia, também é conhecido como "O vale da Lua" devido às suas características aparentarem a da superfície da Lua... Realmente é único mas, pessoalmente, parece-me um pouco diferente da superfície lunar... Tenho de ir à Lua para confirmar! ;-)
Acabo de almoçar e vou dar uma volta de jipe pelo deserto. É estranho andar-se nas dunas um pouco sem destino e sem se conseguir identificar pontos de referência...



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Um pouco mais tarde começo o meu longo passeio de camelo. Foi a minha primeira experiência em cima de um camelo. Bastante desconfortável. Ao fim de 30min já estava farto "por mim já ficaria por aqui..." pois fazia demasiada força para me equilibrar em cima do camelo e o assento não era do mais confortável... Mas, ao fim de mais algum tempo lá consegui apanhar o jeito e andar relaxado podendo usufruir da viagem e da paisagem circundante. Até que ao fim de cerca de 2h chegou o momento alto do passeio. Acabamos por parar numa tenda beduína onde apenas estava lá um homem. Oferecem-me um copo de água fresca que caiu muito bem (ainda pensei duas vezes se deveria beber pois não sabia de onde vinha a água... mas, para não ofender ninguém "que se lixe, siga para a frente... o que não mata, engorda... e, acho que li algures que a água de Wadi Rum é boa para beber").
O dono da tenda pega no seu Oud (instrumento tradicional árabe de 12 cordas parecido com um alaúde) e começa a tocar.

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Estavamos num final de tarde, a tenda localizava-se num ponto ligeiramente mais elevado o que potenciava a maravilhosa vista sobre Wadi Rum. Apenas 3 pessoas naquele local (eu, o dono dos camelos e o dono da tenda) e a ouvir música instrumental ao vivo... uma paz! Muito bom! Está-se bem! Este momento foi sem dúvidas o melhor do dia.
Uns minutos depois não resisti e pedi-lhe para experimentar tocar no Oud... Foi engraçado que entretanto o dono dos camelos ausentou-se de tenda por 5min e quando regressou fez uma cara de espanto quando me viu com o Oud nas mãos a tentar fazer um pouco de música Ricardó-Jordana :-)



Chega a hora de jantar e já me encontro no acampamento onde vou pernoitar. Nessa noite estavam cerca de 50 pessoas no acampamento. Do que consegui apurar eu era o único europeu, depois havia um casal Sul Africano que estava com a filha e os restantes eram árabes.
No final do jantar começou um espetáculo tradicional beduíno. Curiosamente só homens a dançar e por vezes a cantar. "Estes tipos não têm danças em que participam mulheres?!". Numa fase mais avançada, já depois de eu ter sido raptado para entrar nas danças, sou envolvido numa parte em que se representa o casamento de uns princípes (ou reis... não consegui saber ao certo o que era). Então vão os noivos à frente e nós vimos atrás a cantar e a bater um ritmo com as mãos (como não sei árabe, tive de me restringir à parte das palmas). Até que a certa altura... PUM-PUM-PUM... tiros! Um dos turistas que estavam a assistir resolveu pegar na pistola e começar a dar tiros para o ar, para tornar o espetáculo mais real. Chiça... aquilo faz um barulho tão cortante que até tinha dificuldades em manter o ritmo das palmas!... (na manhã seguinte, ao falar com o casal Sul Africano, confessaram-me que também se assustaram um pouco com os tiros :-))




Um pouco mais tarde, uma vez que estava cansado e no dia seguinte levantava-me cedo para ir para Aqaba, resolvi abandonar a festa e ir-me deitar... Estava eu a dormir descansadinho até que começo a ouvir a falar árabe junto à minha tenda e a tentarem abri-la... Fez-me logo lembrar os filmes do Indiana Jones quando está pelas arábias e se tenta esconder de um conjunto de homens que falam árabe... Ainda pergunto o que querem mas não me respondem... como aquilo não parava e tentavam entrar na minha tenda, levanto-me e vou ver o que querem... "sóri, sóri, sóri...". Eram do grupo do fulano que deu os tiros ("respeitinho, Ricardo") e tinham-se enganado na tenda!... Já não tentaram mais entrar na tenda mas o barulho continuou por mais alguns minutos. Pude confirmar pessoalmente o que já me tinham dito: Os árabes são muito barulhentos!!!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Ir de ferias nao da' sorte ao FCP

Rais parta que quando venho de ferias as coisas nao correm bem para o Porto.
Em 2008, estava eu em Phnom Pehn (capital do Cambodja) e vejo na CNN uma noticia de que o Porto esta' em riscos de ser posto fora das competicoes europeias por causa do processo que estava a decorrer em Portugal relativo a corrupcao (?).
E nao e' que agora a CNN me volta a dar mas noticias do FCP?! O Andre Vilas Boas vai para o Chelsea?! Rais parta... "e quem o substitui no Porto?"... Vitor Pereira, quem 'e esse gajo?...
Um dia depois mais uma: Falcao indicado como reforco do Chelsea. Porra, nao posso vir de ferias que isto da' azar ao meu Porto.

Nestes dias quando 'as vezes me perguntam de onde sou e chego 'a cidade, refiro sempre o FC Porto que todos conhecem. E, acabo por dizer "aquele clube que vai ganhar a Liga dos Campeoes da proxima epoca!!!" Mas, com estes desfalques torna-se mais dificil!... :-(

Petra

O dia comeca cedo, 5h30 e o despertador ja' esta' a tocar para um longo dia!
Compro o bilhete e vou procurar por um guia oficial para me orientar em Petra. Como ainda e' cedo e estamos na epoca baixa, agravada pela situacao dos paises vizinhos, ainda nao chegou nenhum. De qualquer modo, o responsavel pelos guias convida-me a entrar e tomar cafe' com ele enquanto espero pelo guia. "Este cafe' e' doce e bom!", digo-lhe eu. "E' um cafe' especial, e' cafe turco. Ves aqui este saco?! Custa 45 JD, enquanto que se fores ai' 'as lojas o cafe' custa cerca de 5 JD. Toda a gente prefere o meu cafe!"...
Entao comeca a maratona. Os primeiros 700m sao opcionalmente em cima de um cavalo ou mula (esta' incluido no bilhete, excepto a gorjeta do tratador), desde logo comeco a cruzar com tumulos Nebateus (100 BC - 50 BC) ate' chegar 'a Siq, o nome da entrada de Petra cujo significado e' passagem estreita. E la' vou eu pelo exiguo desfiladeiro ate' chegar 'a atracao principal, the Treasury cuja objectivo era impressionar quem chegava a Petra e, realmente, consegue-o fazer na perfeicao! E' incrivel como fizeram isto escavando a rocha!...
O nome deste monumento/templo/fachada/o-que-lhe-quiserem-chamar vem de uma lenda que dizia que no seu interior estava um tesouro escondido. Por esse motivo, no topo da fachada tem-se uma esfera de pedra que esta' parcialmente estragada pois, para tentar capturar o tesouro (que suspeitavam estar no seu interior) foram disparados muitos tiros para a tentar derrubar, ate' chegarem 'a conclusao que era macica e, por isso, nao poderia conter nenhum tesouro.
Sigo o meu percurso ao longo da parte central desta cidade, a cada 10-20m ha' algo para ver, tumulos, mais tumulos, templos, um anfiteatro ate' chegar 'a zona (com mais vestigios da epoca) romana, a Colonnaded Street. Sim, depois dos Nebateus erguerem esta cidade de tao elevada importancia para peregrinos e mercadores, mais tarde foi ocupada pelos romanos.
Ate' chegar ao Qasr al-Bint que e' o 'unico templo, que nao foi escavado numa rocha, que ainda hoje sobrevive 'as inundacoes e terramotos a que cidade foi sujeita.
A partir daqui terminou o trabalho do guia e sigo sozinho. Tal como me disseram em Jerash. "se tiveres de optar pelo Monastery ou High Place of Sacrifices, vai pelo Monastery. 'E normal fazer-se apenas um destes. A caminhada e' longa mas vale a pena! E depois segue em frente ate' a um mirador com uma vista optima". E' a altura certa para comecar a comer umas bolachinhas para me darem energia para a subida.... Uhm... bolachinhas aromatizadas por erva fresca fermentada acabadinha de ser expelida pelas mulas... com o sol a bater nas rochas, e o caminho estreito, este aroma entranha-se nas fossas nasais que ao fundir-se com o paladar das bolachas que vem da boca, fazem uma maridagem interessante... mas... dispensavel!
Ao fim de 30min a subir pelo desfiladeiro (correspondente a um incremento de 220m de altura), la' chego eu. Realmente valeu a pena!... Aprecio o monumento e depois continuo a subir para o mirador. A vista e' sem duvidas boa mas nao a melhor do dia!
Pronto, e' altura de voltar para tras ate' ao centro da cidade para depois decidir onde ir. Pelo caminho cruzo-me com dois miudos numa mula a quem peco para lhes tirar uma fotografia. "Podes. Tiras-me uma fotografia mas tens de ir visitar a minha loja", disse-me a mais velha que tinha cerca de 10 anos. Para um beduino, o ingles dela e' impressionante que depois de lhe perguntar la' me diz que aprendeu na escola e, apesar de nao mencionar, claro esta' que pratica bastante com os turistas.
La' lhe faco uma compra e como nao tinha troco desce comigo ate' uma barraca de bebidas. Pelo caminho oferece-se para me tirar uma foto (e, sem sucesso, ganhar mais dinheiro) e foi incrivel como ela me pega na maquina e comeca a carregar nos botoes todos, a pesquisar outras fotos que tinha na maquina "deixa, eu sei fazer isso". E realmente fazia.
Como ja' estava a precisar de beber alguma coisa fresca, para facilitar a troca de dinheiro, la' bebo um sumo de limao (acido) com menta e ofereco-lhe um a ela pois nao havia troco suficiente. Soube-me mesmo bem este sumo bem acido e refrescante.
De regresso ao centro da cidade, ainda nao eram 12h mas estava cansado, a precisar de descansar, beber e comer. Por isso, aproveito para ir ao 'unico restaurante da cidade que era mesmo ali. Durante quase toda a refeicao era o unico no restaurante. Comi entradas (que por is so' ja' faziam uma refeicao), prato principal e sobremesas. Aproveitei para me descalcar e dar liberdade aos meus pezinhos que me estavam a pedir. Demorei cerca de 1h a comer. Dava uma garfada, li-a uma pagina do guia (para preparar os pontos seguintes a visitar), respirava, mais um suminho de limao e menta (que comecou quase a fazer um buraco no estomago e, por isso, tive de comecar a beber aguinha), um gole de agua... mais uma garfada... uma pagina, respirar, um gole de agua... Para terminar teve de ser um chazinho de menta... e depois de respirar fundo... la' me levantei para a caminhada da tarde.
Para nao passar por locais que ja' tinha passado, decidi fazer um percurso que me dava ideia ligar dois locais que pretendia visitar (e que felizmente se veio a verificar). Da informacao que tinha lido, e que pude confirmar, nao ha' muitas indicacoes dos trilhos a seguir... antes de comecar, e como estava num local central, resolvi pedir ajuda "qual o caminho para Wadi Farasa? E, depois High Places of Sacrifice?", "e' longe. E' melhor ires de mula que e' mais rapido e cansas-te menos", "nao quero, prefiro ir mesmo a pe'. Quanto tempo leva ate' la'?", "muito!... 1h ou mais! E' melhor ires de mula, faco-te um bom preco", "nao quero, vou a pe'!". La' me indicam um trilho esquisito e la' vou eu sem referencias nenhumas se estou pelo caminho certo ou nao. Olho para a agua que tenho, combino comigo proprio que se me vir perdido regrsso para tras, e la' vou eu. Para comecar cruzo logo com uma placa a indicar que e' recomendavel ir com guia ou pelo menos, totalmente desconselhavel ir alguem sozinho. Isto faz-me pensar... resolvo seguir outro trilho que nao me parece ser o que eu pretendia mas, como nao havia indicacoes nenhumas... ate' que ao fim de algum tempo vejo um beduino 'a minha frente "ele deve saber o caminho e com jeito ate' vai para Wadi Farasa...". Tento segui-lo... ele desaparece... vejo a cabeca dele ao longe... dou uma pequena corrida... e la' o consigo encontrar. Ele indica-me a direcao que devo seguir, ufa! Comeco entao a "tropecar" em tumulos, monumentos, rochas diversas cores, etc. Uns metros mais 'a frente cruzo com um casal de turistas "Wadi Farasa e' por aqui? Da' para ir para High Place of Sacrifice?", sim, da'. "Acho que ha' dois caminhos e este e' o mais complicado.", responde-me o homem. "se fores a passo rapido deves demorar cerca de 30min pelo menos! A tua 'agua... uhm... e' capaz de chegar... mas se quiseres ja' ali 'a frente ha' uma barraca e podes comprar mais.", disse-me a mulher.
La' continuei o meu caminho e a maior parte do tempo nao via alma viva nenhuma! Vestigios de Nebateus era aos pontapes! "Aqueles tipos foram mesmo incriveis! Conseguiram escavar rocha em todo o lado e incrivelmente faziam angulos retos nas paredes interiores".
Ao longo do caminho, por varias vezes, parecia que chegava a um ponto sem saida. Mas, a ideia era sempre pensar "vai haver uma brecha qualquer". E era verdade, havia sempre um caminho, uma brecha escondida que permitia continuar para algures. Ao fim de 20min de caminhar nunca mais me passou pela cabeca voltar para tras. E, psicologicamente falando, os reforcos positivos (uns vestigios de degraus Nebateus, 2 ou 3 degraus dos tempos de hoje, uma placa a indicar o nome do templo que coincidia com o mapa que eu tinha...), foram ajudando nesta caminhada. Ja' para nao falar na optima paisagem, nas pedras de cores diferentes, nos templos, etc. por onde ia passando.
Ao fim de 1h30 la' chego ao destino. Ufa! No inicio da manha doiam-me as pernas mas nesta altura, inexplicavelmente ja' nao. Ou ja' nao as sentia... O High Place of Sacrifice por si nao justifica o esforco. A caminhada em si, sim. E a vista que se tem deste local sobre a parte central da cidade, vale a pena!
Hora para descer e tentar ou descobrir como consigo ver a Treasury por cima durante o por-do-sol e/ou ver os tumulos reais que de manha passei la' mas como o Sol estava por tras, nao ajudou.
Na descida tambem nao cruzei com muita gente. Uns 5 ou 6... ate' que viro uma curva e encontro uma Beduina, na casa dos 20 anos, numa banca de venda que insiste comigo em me sentar e beber um cha' com ela. Havendo os argumentos certos, sou facil de convencer... Bastou pedir duas vezes, um sorriso bonito (mesmo com um dente partido, que fez questao de nao o mostrar quando lhe tirei uma foto) e umas feicoes a condizer e eu ja' estava no chao! Ela vai buscar um copo para mim... "o copo deve vir bonito... mas, o que nao mata esfola...", penso eu. Surpreendentemente passa o copo por agua (que nao sei de onde veio) deita cha' e la' comeca a conversa e a tentativa de me vender alguma coisa. O sorriso dela e' mesmo bonito... e os olhos marcam... Passando um pouco chegou o pai. Mostram-me fotografias da familia e fico a saber que ele tem 2 mulheres. "E' comum os beduinos terem mais do que uma mulher?", pergunto-lhe eu. "Sim, o normal e' ter 4!". "4??? Assim tem 4 vezes mais problemas!", comentario de portugues! :-) Ao que ele sorri e faz um ar de quem parece nao concordar totalmente!
A filha la' continua a tentar vender-me moedas Nebateu ou Romanas. "Sabes, foram encontradas aqui.", "Como as encontram?", "Apos as chuvas elas aparecem!". Aproveito e pergunto-lhe se ha' aqui um caminho para se ver o Treasury por cima. "Sim, sim, ha'. Mas tens de ir com um local. Tu sozinho nao consegues encontrar. No ano passado houve um turista a quem se disse o mesmo mas ele resolveu ir sozinho. Acabou por cair e 1 semana depois foi encontrado morto!", disse-me a mulher. Se quiseres amanha vou la' contigo. Hoje nao posso. A minha mae esta' doente e tenho de estar aqui.", continuou ela. "nao posso, amanha vou para Wadi Rum", respondi-lhe eu. Era optimo poder fazer esse caminho com ela. Com um beduino estamos muito bem entregues e eles mais que ninguem conhecem os cantos 'a casa. Por outro lado, ainda bem que nao deu para ir... senao ainda perdia a cabeca e tinha de sair da Jordania a correr antes que levasse um arraial de porrada!!!... ;-)
La' me despedi e segui o meu caminho pois o Sol estava a comecar a baixar. Mais tarde, estava eu noutra zona e vejo alguem a acenar para mim. Era a beduina e o pai que estavam agora noutro local e que me reconheceram!!! :-)
Vou num instante ver os tumulos reais e dirigo-me para a saida, sem deixar de parar de novo na Treasury e estar cerca de 15min 'a espera do momento certo para tirar uma foto sem turistas nenhuns a estorvar!!!
Comeco a fazer o meu caminho de regresso nao sem antes um jovem local oferecer-se para me tirar uma fotografia quando me viu a tentar tirar fotos. Mas, afinal o que ele queria era uma foto comigo... e quando estamos a postos poe o braco por cima de mim... "mas que e' que se esta' aqui a passar?... o que e' que este gajo quer?", pensei eu. Depois de tambem se juntarem 'a fotos outros 2 amigos dele, la' me disse que queria que lhe desse o meu colar que tinha ao peito. La' lhe disse que e' um colar do Peru - Pachamama - que significa algo para mim e, por isso, nao lhe podia dar. H'a segunda nega, ele la' desiste! Ufa! Por acaso quando vim, pensei que poderia deixar ca' o colar mas, teria de ser por causa de um momento marcante ou alguem especial. E esta situacao nao era uma coisa nem outra. De qualquer forma, pedi-lhe o email e prometi que lhes enviava as fotografias.
De regresso ao hotel tomo uma choveirada e vou jantar depressa pois o Petra By Night comeca dentro de 1h.
La' entro eu de novo em Petra (Petra 'e o nome da cidade Nebateu, a cidade de apoio onde estao os hoteis chama-se Wadi Musa), mas agora ja' de noite e apenas iluminado por velas que estao no chao e em silencio. Ate' se chegar a Treasury que esta' cheia de velas no chao e onde nos encaminham para sentar no chao at'e comecar o espectaculo. Tocaram cerca de 4 musicas em solos de dois instrumentos tradicionais, falam um bocado da historia daquele local e da Jordania e termina o Petra by Night. Sinceramente nao fiquei grande fa. Sim, e' interessante ir la' 'a noite, ter o caminho iluminado por velas mas, a musica em si, alem de ser curta, nao me pareceu grande coisa.
Volto a fazer o caminho de regresso e agora custa-me bastante. "Ai o que eu dava por uma mulinha!!!". Quase de certeza que durante o dia cabei por fazer mais do que 20 Km!
Para terminar, e nao me alongar mais, Petra e' imperdivel! Vale mesmo a pena. Se estivesse ca' 2 dias, enchia-os facilmente!... As 412 fotos que tirei so' neste dia, dizem muito!... Quem gosta de fotografia (e ao contrario de mim, percebe da poda), recomendo vivamente a vir ca' e trazer todo o material. Motivos de fotografia nao faltam!

terça-feira, 21 de junho de 2011

Cristianismo impede prostituicao em bares...

Este e' um titulo digno do Correio da Manha! Aposto que toda a gente nao vai saltar este post, onde vou falar de curiosidades! :-)
Comecando pelo assunto do titulo. Alem de gostar da noite, aprecio conhecer bares/discotecas/night clubs/ou-la'-o-que-lhe-quiserem-chamar-nos-diferentes-paises pois mesmo ai' ha' comportamentos diferente consoante as culturas que sao interessantes ver e conhecer. Nunca me passava pela cabeca o que encontrei por exemplo em Laos. Num bar escuro, cheio de sofas e locais recatados... que em Portugal seria considerado um local de rosso... foi surreal quando comeca a dar uma determinada musica e o pessoal levanta-se para ir ate' a pista de danca executar uma danca em que caminham num circulo grande e vao rodando as maos! What a weird thing!!!
Mas, vamos la' ao que estao a espera que eu fale... Estou a comecar a chegar a conclusao que os locais onde a religiao predominante nao e' a Crista, e' bastante mais propenso a encontrarem-se prostitutas em bares do que em outros locais (exemplos: Vietname, China, ... e agora Jordania). Ontem, como tem de ser, la' sai' 'a noite em Amman para ir ao que aqui chamam night club. Para minimizar a probabilidade de ir a um local onde me viessem fazer ofertas de sexo a troco de dinheiro... tentei ir ao melhor de todos. Assim fui parar a um hotel 5 estrelas (Hyatt Hotel) que e' referido no meu guia e que o meu motorista tambem disse "vai a este pois assim evitas ir a low-end... os meus amigos tem ido la' e dizem que neste momento e' o melhor". E la' fui eu... A entrada nao foi facil... "so podem entrar hospedes ou casais..." mas eu nao satisfazia nenhum desses requisitos! Depois de me perguntar de onde era la' disse Portugal ao que o porteiro respondeu "Cristiano Ronaldo" e, pronto assim surgiu conversa e la' me deixou entrar. (a minha simpatia pelo Cristiano Ronaldo aumentou a partir deste momento). No final da noite quando sai' de l'a fui-lhe agradecer ter-me deixado entrar e, em tom de brincadeira disse-lhe "depois trago-te uma camisola do Cristiano Ronaldo assinada por ele..." e nao e' que ele acreditou?! "Da proxima vez que vieres, e'?"... e, nao quis desmanchar este momento de ilusao e nao me descosi!!!
O bar era porreiro e a musica tambem mas, por ser um dia da semana estavam cerca de 10 gatos pingados. Ainda me deu para rir um bocado a ver algumas pessoas a dancar... e alguns casais em que devia haver esquema... A partir de meio noite ja' ficou a casa mais recomposta mas mesmo assim, nao mais de 30 pessoas. Ate' que a determinada altura la' ha' uma mulher que se mete comigo e vem junto a mim. A treta do costume (qual o teu nome, de onde 'es... bla bla bla) ate' que me perguntou se estava ca' em ferias ou em negocios. La' lhe disse "ferias". "Sabes...", diz-me ela, "eu estou aqui em negocios!". Deu-me logo vontade de lhe dar uma determinada resposta mas antes que fizesse uma avaliacao errada e fosse ofensivo, optei por nao dizer nada. Mas, em menos de 10s ela disse o que eu lhe ia dizer "estou aqui em negocios e o meu negocio e' sexo! Se queres ir comigo sao 200 USD" :-) e, pronto, la' lhe disse que nao... ainda me perguntou porque e a coisa terminou por ali. "Porra, o que e' que os locais onde encontrei mulheres a pedirem-me logo dinheiro em troca de sexo têm em comum?!... Sera' por nao prevalecer o Cristianismo?! Ou sera' o papel da mulher na sociedade?... Mas, na Jordania, surpreendentemente, as mulheres ate' estao muito equiparadas com os homens..."
E assim foi mais uma historia. Podia estar a contar a conversa com o taxista que me levou de regresso ao meu hotel mas, mais um vez, foi exactamente o mesmo que ja' encontrei noutros paises nao cristaos... ha' excepcao do Brasil!!!

Mais curiosidades...
Foi engracado perceber que o bronseado que em Portugal 'e chamado de bronseado a' trolha, aqui tem o mesmo nome! Confirmei isto com o meu guia de Jerash quando surgiu a conversa em sequencia de ele tirar a camisa para ficar de t-shirt caveada "e' por isso que eu tirei a camisa, para ver se tiro este bronse nojento... "

Ainda haviam mais algumas curiosidades para contar mas vou mas e' jantar. Ja' estou em Petra e amanha vai ser um dia duro. Vou comecar 'as 6 da manha (para ver o nascer do sol sobre o monumento principal) e 'a noite vou assistir a um evento em que enchem os monumentos de Petra com velas e nos fazem seguir um percurso para assistir a musica folclorica.

Desert Castles e Jerash

Comeca esta jornada e fui direto ao Deserto para visitar 3 castelos, atraves da estrada que nos leva ao Iraque e onde cruzei com muitos camioes com petroleo!...
Tenho de confessar que, depois de conhecer os castelos portugueses, estes aqui sabem a pouco. Sao muito simples e pequenos. 4 paredes, uns compartimentos la' dentro e esta' feito (acho que estou a simplificar demais). A grande novidade para mim foi ve-los no deserto!!!
A foto seguinte apresenta o Qasr Harraneh que foi o primeiro e mais simples dos 3 que vi.


Provavelmente o melhor foi o Qasr Amra *que significa, Castelo Pequeno) cuja atracao principal sao os frescos do seculo VIII presentes no seu interior.

O ultimo Castelo, localizado no ex-oasis (explico ja o porque...) Azraq e' que ja' era um castelo 'a seria... pois, trata-se de um castelo Romano ja' mais parecido com os que encontramos em Portugal. Este Castelo esta' referenciado no livro Seven Pillars of Wisdom de Lawrence da Arabia pois o autor passou umas semanas neste local.
Quanto a Azraq, ainda restam vestigios de um Oasis (o unico local com vegetacao verde e abundante num raio de cerca de 50Km). Neste momento ja' nao se consegue encontrar agua a' superficie pois a agua utilizada em Amman e' preferencialmente bombeada deste local o que o tem levado a secar... Por esse motivo esta' neste momento a ser construido uma enorme canalizacao para abastecer Amman de agua proveniente de... Wadi Rum, o que fica a mais de 300Km de distancia!!!
Um dos maiores problemas da Jordania e' a escassez de agua e, por isso, eles investem muito para a ir buscar onde e' necessario!!!

Jerash
A must sem sombra de duvidas a cerca de 50Km norte de Amman! Agora percebo o porque de ser o segundo local mais visitado na Jordania. "A long time ago" existiu aqui uma cidade romana da qual hoje ainda existem varios vestigios. Posso confessar que gostei mais de Jerash do que o Forum Romano em Roma!!!... Esta cidade e' enorme e tem uma grande quantidade de templos. Nao vou estar aqui a descrever os seus templos pois muita informacao pode ser encontrada na Internet.
De realcar temos o anfiteatro que ainda hoje e' utilizado para alguns concertos de musicos Arabes, jazz, opera, sendo a casa do importante Jordan Festival a ter lugar todos os anos em Julho-Agosto (ai se eu tivesse vindo umas semanas mais tardes...).
Isto foi uma caracteristica sui generis deste local. Apesar de ser um local historico esta' totalmente aberto para os locais e tenta ajuda-los a ganhar com o seu potencial turistico. Como ja referi, ainda e' usado ns dias de hoje para concertos diversos. Enquanto estive la' assisti a um pastor a levar as suas cabras 'as ruinas (nao para apreciar o local mas para comerem!!!) - ver imagem. O meu guia, referiu-me que os miudos por vezes vao para la' brincar "eu quando andava na escola vinha muitas vezes brincar para aqui". E, por ultimo, ao contrario do Circo Massimo em Roma, aqui podemos ver corridas de carrocas de cavalos e (simulacoes) de lutas de gladiadores executadas pelos locais! Infelizmente isto foi uma das coisas que perdi. Enquanto almocava reparei que havia este show todos os dias, 2 vezes por dia. Comi 'a pressa mas quando la' cheguei nao havia espetaculo. Devido ao numero reduzido de turistas a sessao da tarde tinha sido cancelada! :-(
Apesar de estar na epoca baixa, neste momento ha' poucos turistas na Jordania pois eles estao a sentir muito os problemas recentes dos paises vizinhos... por esse motivo varias agencias estao a comecar a dispensar pessoal pois esta' mesmo muito mau (em termos de negocio).

domingo, 19 de junho de 2011

Jordania

Ah, ah, finalmente ja’ ca’ estou! Depois de nas ultimas 2 semanas ter andado a fechar gradualmente as varias partes que compoem a viagem (primeiro os voos, uma semana depois o programa local e nos ultimos dias o mergulho em Aqaba), o resultado final e’ muito bom e o entusiasmo e’ grande! Se fosse um programa de televisao era caso para dizer "temos um grande programa"!!!




19 Junho
Chegada a Amman

20 Junho
Desert Castles => stand as a Testament to the flourishing beginnings of Islamic-Arab civilization Jerash => the best preserved Roman City Gerasa, which is called Jerash today, and known also as the city of a 1.000 pillars




21 Junho
Mount Nebo => Memorial burial place of Prophet Mose
Madaba => City of Mosaics - where is the unique map of the Holy Land in St. George Church 6th C. AD
Kerak => the great crusader castle




22 Junho
Petra by day …& night!!!



23 Junho
3 horas de viagem de camelo no deserto de Wadi Rum (o deserto imortalizado por Lawrence da Arabia), pernoitando no deserto num acampamento beduino





24 Junho
Aqaba – dia inteiro a passear de barco no Mar Vermelho intercalado com 2 mergulhos neste que e’ um dos melhores locais do mundo para a pratica de mergulho! E’ pena eu ainda nao ter o PADI que me permita ir a mais de 15m de profundidade. Quando regressar a Portugal vou ter de tratar disso par poder aproveitar estas oportunidades ao maximo!...




25 Junho
Bethany => the site of John the Baptist's settlement at Bethany Beyond the Jordan, where Jesus was baptized

Mar Morto



26 Junho
Regresso a Portugal com visita relampago a Barcelona








As primeiras impressoes deste pais sao muito boas. E’ um pais muito pacifico e seguro, as estradas sao boas, quase todos falam bem ingles e ha’ muitas coisas em comum com os paises ocidentais. E nao e’ que passei numa loja que vendia so’… bebidas alcoolicas, na grande parte, bebidas brancas?!?! Nao esperava nada disso!




Realmente a Jordania e’ um oasis no meio do Medio Oriente! Ja’ vi mulheres a conduzir carros (aqui nao sao proibidas de o fazer), as que se querem vestir normalmente podem faze-lo livremente, muitas andam sozinhas na rua, as que querem usar burka ou veu usam-no…




Para me comecar a ambientar mal cheguei a Amman, passavam ja’ das 20h, deixei a mochila no hotel e fui dar uma volta a pe’ aqui na zona e aproveitei para jantar. Como se fartaram de me dizer que isto aqui e’ muito seguro “podes andar a vontade na rua e ate’ contar dinheiro que ninguem te faz mal”, la’ me meti pelos quelhos sem receios. O unico senao e’ que eles nao sao franzinos como os asiaticos… Por isso, tenho de ter mais cuidado!!!...




Todas as cidades tem uma “Rua de Santa Catarina” e Amman nao e’ excepcao! Uma rua pedonal com lojas dos dois lados e montes de pessoas mesmo ‘as 22h30, e claro, nao poderia faltar uma loja da ZARA e do Massimo Dutti la’ no meio! J




Hoje ja’ aprendi alguma coisa com os locais “se queres ganhar dinheiro vai para a Arabia Saudita. Para o gastar vai para o Dubai!”




Bem, vou mas e’ dormir que devo horas de sono e amanha comeca a serio!